sábado, 5 de março de 2016

Bactéria pode ajudar no combate a dengue, chikungunya e zika

Bactéria pode ajudar no combate a dengue, chikungunya e zika



Cientistas usam a bactéria do bem chamada wolbachia para neutralizar o mosquito Aedes Aegypti.


Os resultados de uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio, animaram os cientistas que trabalham no combate às doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti. Eles usam uma bactéria do bem pra neutralizar o mosquito.
O objetivo ali não é espantar o Aedes Aegypti, mas sim capturar.
Jorge: O mosquito, ele é atraído por conta da armadilha ser preta e branca. Então ele é atraído por conta disso.
Repórter: Porque ele enxerga preto e branco.
Jorge: É. Aí ele vem, ele sobrevoa aqui então tem um ventiladorzinho aqui dentro e ele é sugado pra dentro da armadilha e ele fica preso e não consegue sair.
Jorge trabalha pra Fiocruz. Entre agosto do ano passado e janeiro deste ano a missão foi soltar cerca de 340 mil mosquitos em dois bairros: um no Rio, a Ilha do Governador, e outro em Niterói: Jurujuba.
Os pesquisadores injetaram uma bactéria nos ovos do Aedes aegypti: a wolbachia, e espalharam os mosquitos.
É uma bactéria inofensiva pro meio ambiente. E pode ser uma grande aliada contra a transmissão dos vírus da dengue, chikungunya e da zika.
“A gente pode afirmar que ocorre uma redução significativa na capacidade de transmissão dessas doenças. A gente viu que quando a wolbachia está presente, a gente não consegue detectar os vírus dengue, chikungunya e zika na saliva desses mosquitos”, diz o pesquisador da Fiocruz, Luciano Moreira.
E é justamente pela saliva do mosquito que esses vírus são transmitidos.
O estudo começou na Austrália e hoje é feito também no Vietnã, na Indonésia, Colômbia e no Brasil.
Semanalmente, as equipes da Fiocruz vêm coletar os mosquitos. As armadilhas foram colocadas em 56 casas. O trabalho é monitorar se a wolbachia, a bactéria do bem, está se proliferando.
Os primeiros resultados mostram que a wolbachia está presente em mais de 80% dos mosquitos Aedes aegypti encontrados nesses dois bairros.
Outra comprovação importante: a fêmea com a bactéria, transmite naturalmente a wolbachia para os filhotes.
E mais: se a fêmea não tem a bactéria, mas é fecundada por um macho com a wolbachia, ela fica estéril: os ovos não viram novos mosquitos.
“A gente já está em conversa com o Ministério da Saúde, como os nossos financiadores, com a possibilidade de expansão desse projeto em outras localidades. Usar o próprio mosquito pra combater as doenças que ele mesmo transmite”, diz o pesquisador da Fiocruz.

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